Rosanne Mulholland quer ganhar as telas
Depois de viver uma jovem drogada e sexualmente liberal em A Concepção, Rosanne Mulholland está pronta para invadir os cinemas brasileiros nos filmes O Magnata, Uma História Real, Bellini e o Demônio, Falsa Loura e Meu Mundo em Perigo. Aos 26 anos, a atriz de Brasília não esconde a ansiedade de se ver de novo - e de se mostrar - em tela grande
por CHRISTINA FUSCALDO
Brasília sempre levou a fama de ser a terra de quem não tem avós e de ser o lugar em que as loucuras (pessoais e políticas) estão ao alcance de qualquer um. Uma pequena amostra do que um morador da capital do país - e de qualquer outra cidade brasileira - é capaz de fazer está no filme A Concepção, de José Eduardo Belmonte. E é de lá que sai a protagonista da nossa história, Rosanne Mulholland, que se meteu em muita confusão no longa do cineasta criado nos arredores do Congresso Nacional. Mas, contrariando todos os estigmas, ela chega a assustar de tão diferente que é de sua personagem, a doidinha Liz, que, incentivada junto aos amigos pelo misterioso X (Matheus Nachtergaele), experimenta drogas e sexo e intitula-se como uma concepcionista - uma pessoa que vive uma personalidade diferente a cada dia. Morando no Rio de Janeiro há dois anos, a atriz de 26 anos leva uma vida normal, saudável e até "careta", segundo ela.
A entrevista foi marcada para as 15 horas da terça-feira anterior à semana do Carnaval. No dia seguinte, Rosanne faria a sessão de fotos e, no outro, embarcaria para os Estados Unidos, onde vivem seus avós paternos. Rosanne é filha do americano Thimothy com a brasileira Lurdicéia, separados há dez anos, e teve a companhia dos avós paternos em Brasília só até os 13 anos. Depois disso, o casal missionário da Igreja Baptista voltou para seu país. Ao telefone, sugeri conhecer seu apartamento - um três quartos no bairro do Leblon -, mas estariam lá o namorado, a mãe e uma amiga dela, as duas vindas de Brasília a passeio. Não, gente demais! Combinei, então, de encontrá-la na portaria e, de lá, pensarmos juntas em um lugar discreto para ir.
Pontualíssima, como qualquer pessoa "careta" deve ser, ela desceu um minuto depois de o porteiro interfonar. Nesse momento, dei graças a Deus de ter pego um taxista malandro. Saí de casa em tempo, mas o trânsito naquele dia estava uma loucura. Cheguei no laço, ela estava pronta. "Tem um café desse lado", apontou para a sua direita, "e um outro dentro de uma livraria ali do outro lado", apontou para a esquerda. Ela usava saia jeans, uma blusa verde, sandália e uma bolsa com pimentinhas estampadas. Tudo muito simples. Com traços finos e uma elegância natural, Rosanne mostra-se linda. Parece frágil, mas prova que não é. Escolho o café da livraria, lembrando que lá costuma ser silencioso.
No caminho, pedi desculpas por não aceitar a "uma hora e meia de entrevista" oferecida por seu assessor, ou melhor, pelo assessor ligado ao seu agente, o renomado Antônio Amancio. Ele ligou três horas antes do encontro para sugerir que remarcássemos para mais tarde e, se possível, em Botafogo, também zona sul do Rio, já que naquele dia Rosanne teria uma aula de interpretação e, dali, poderia emendar. Expliquei que precisava de algo menos impessoal e de um certo tempo para me aprofundar na história da moça, afinal Rosanne Mulholland não é o tipo de nome que você bota no Google e conta com aquela avalanche de informações. Ele entendeu, ela também. Ótimo.
Chegamos no café incólumes. Nas ruas do Leblon, ninguém pediu autógrafo ou tentou chamar a atenção da atriz. No bairro onde moram oito entre dez artistas famosos, sentamos e pedimos dois capuccinos. Os curiosos que se acomodavam perto olhavam para o gravador e tentavam descobrir quem era a entrevistada. Acredito que não tenham chegado a conclusão nenhuma, visto que a própria protagonista abaixava o volume da voz e tentava conter seus gestos quando falava algo que pudesse revelar sua identidade e abrir para os vizinhos de mesa seu currículo e, dessa forma, comprometer sua privacidade.
Rosanne parece até gostar de andar anônima pelas ruas, mas não esconde a ansiedade de poder se ver novamente em tela grande. "Quem assistiu A Concepção não me reconhece. Eu tinha um cabelão e usava maquiagem. Mas acho que isso pode mudar quando os filmes que rodei estrearem. Aliás, não agüento mais esperar, eles precisam ser lançados logo!", exclama.
E em Brasília, onde atuou por mais de dez anos no teatro e fez diversos comerciais? "Lá, eu já estava ficando conhecida como a 'menina do comercial'. Uma vez, na faculdade, um rapaz chegou e falou: 'Me dá licença? Preciso te perguntar uma coisa. Você fez o comercial tal, o comercial tal e o comercial tal?'. Fiquei chocada. Em cada um dos comerciais, eu estava com um cabelo diferente e, mesmo assim, ele me reconheceu."
(Fonte: http://rollingstone.com.br/edicao/6/rosanne-mulholland-quer-ganhar-as-telas)
(Fonte: http://rollingstone.com.br/edicao/6/rosanne-mulholland-quer-ganhar-as-telas)

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